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O rastreamento do câncer de mama é uma das estratégias mais eficazes da medicina preventiva. Quando ele ocorre dentro das recomendações corretas, ele permite identificar alterações em fases muito iniciais, muitas vezes antes mesmo de qualquer sintoma. Isso aumenta significativamente as chances de um tratamento de câncer de mama bem-sucedido.

No Brasil, o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) estabelecem as diretrizes sobre quando iniciar e com qual frequência fazer os exames. Ainda assim, os protocolos de rastreamento devem ser personalizados para as características clínicas de cada paciente. Entenda abaixo quando começar o rastreamento do câncer de mama e quais os exames envolvidos.

Rastreamento do câncer de mama: como é, quando iniciar e mais

O rastreamento do câncer de mama consiste na realização de exames preventivos em mulheres que não têm nenhum sintoma da doença. O objetivo dessa estratégia é justamente antecipar o diagnóstico, encontrando alterações antes que elas se manifestem clinicamente, se espalhem e se tornem mais difíceis de tratar.

No contexto do câncer de mama, isso faz toda a diferença. O câncer de mama em estágio inicial responde muito melhor ao tratamento, sendo que, em muitos casos, é possível até mesmo dispensar abordagens mais agressivas, como a mastectomia total. Enquanto isso, o diagnóstico tardio pode limitar as opções de tratamento e reduzir as chances de cura.

Muitos pensam que o rastreamento se limita ao autoexame das mamas pela própria paciente. Isso é, no entanto, um engano, visto que essa técnica não substitui os exames que realmente conseguem “enxergar” a mama por dentro como um todo. Sendo assim, no rastreio, entram também exames como a mamografia e ultrassonografia das mamas, entre outros.

Quando começar o rastreamento do câncer

Aqui, a resposta varia. Isso porque, apesar de autoridades em saúde terem recomendações bem claras, há também nuances a se considerar – como fatores de risco para a doença.

O Ministério da Saúde recomenda a mamografia de rotina a cada dois anos para mulheres entre 50 e 74 anos de idade. Enquanto isso, a Sociedade Brasileira de Mastologia defende o rastreio a partir dos 40 anos, com mamografias anuais.

A definição dessa faixa etária tem relação com a idade em que a doença geralmente é diagnosticada em mulheres no Brasil – e, diante de dados que mostram grande ocorrência do câncer em mulheres com menos de 50 anos, o Ministério da Saúde passou a autorizar que casos especiais iniciem o rastreamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) entre 40 e 49 anos.

Na minha prática clínica, sigo as recomendações da SBM e oriento minhas pacientes a iniciar as mamografias de rastreamento aos 40 anos, com repetição anual. Esse é um protocolo que, na minha avaliação, oferece maior segurança para a maioria das mulheres.

Abaixo, explico detalhes sobre o diagnóstico precoce do câncer de mama e suas vantagens:

Rastreamento antes dos 40: quando é necessário

Em alguns casos, iniciar o rastreamento antes dos 40 anos é fundamental. Isso acontece porque determinados fatores aumentam o risco de desenvolvimento do câncer de mama em idades mais precoces, tornando necessário um acompanhamento individualizado.

Os principais fatores que indicam a necessidade de avaliação com mastologista antes da idade padrão incluem:

  • Histórico familiar de câncer de mama em parentes de primeiro grau (mãe, irmã ou filha), especialmente quando o diagnóstico ocorreu antes dos 50 anos;
  • Presença de mutações genéticas conhecidas, como nos genes BRCA1 e BRCA2;
  • Histórico pessoal de lesões mamárias de risco, como hiperplasia ductal atípica;
  • Realização prévia de radioterapia na região do tórax antes dos 30 anos.

Para mulheres com esses fatores, a recomendação costuma ser iniciar o rastreamento cerca de 10 anos antes da recomendação padrão ou 10 anos antes da idade em que o familiar mais jovem foi diagnosticado. Esse acompanhamento pode incluir mamografia, ultrassonografia das mamas e, em situações específicas, ressonância magnética mamária.

Se você possui algum fator de risco ou tem dúvidas sobre seu perfil, buscar a avaliação com um mastologista é o melhor caminho. A partir disso, é possível definir uma estratégia de acompanhamento personalizada, mais segura e adequada às suas características.

Exames: mamografia e técnicas complementares

Nem todo protocolo de rastreamento inclui os mesmos exames. A escolha depende da faixa etária, da densidade das mamas, do perfil de risco da paciente e dos achados de cada exame. Veja abaixo como funciona cada um deles:

Mamografia

A mamografia é o exame padrão-ouro para o rastreamento do câncer de mama e o único com eficácia comprovada na redução da mortalidade pela doença. Isso acontece porque permite visualizar as diferentes camadas do tecido mamário, facilitando a identificação de nódulos muito pequenos, iniciais e profundos — muitas vezes antes mesmo de serem perceptíveis ao toque.

Na prática, o exame funciona como uma radiografia das mamas. A mama é posicionada entre duas placas e comprimida por alguns segundos, enquanto feixes de raio-X geram imagens detalhadas do tecido interno.

Essa compressão pode causar um desconforto passageiro, especialmente em mulheres com maior sensibilidade mamária ou que realizam o exame próximo ao período menstrual. Ainda assim, trata-se de um incômodo breve, que dura poucos segundos, diante de um benefício significativo — a possibilidade de diagnóstico precoce e aumento das chances de tratamento eficaz.

Para mulheres sem fatores de risco elevados, a mamografia costuma ser indicada de forma anual ou bienal, conforme orientação médica. Em alguns casos, o ultrassom das mamas pode ser solicitado como exame complementar, contribuindo para uma avaliação mais completa.

Ultrassom das mamas

O ultrassom de mamas é um exame indolor, sem radiação e que pode ser muito útil em situações específicas. Apesar de não substituir a eficácia da mamografia, ele a complementa especialmente em casos de mamas muito densas – ou seja, quando o tecido mamário reduz a sensibilidade da mamografia.

Além disso, esse também é o exame de escolha para investigar um nódulo palpável, diferenciar cistos de nódulos sólidos e guiar biópsias, se necessário.

Em mulheres jovens, com menos de 30 anos, o ultrassom pode ser preferível à mamografia para a avaliação das mamas. No exame, a paciente fica deitada e o especialista desliza o transdutor pelas mamas com o auxílio de um gel.

Ressonância magnética das mamas

A ressonância magnética das mamas é o exame de maior sensibilidade disponível para o rastreamento. Ele gera imagens tridimensionais detalhadas do tecido mamário e é capaz de detectar alterações que nem a mamografia nem o ultrassom identificam. Apesar disso, é um exame de custo elevado e, por isso, não é indicado para todas as mulheres como rotina.

Esse exame fica reservado a situações de risco muito elevado, como mulheres com mutação genética confirmada, histórico familiar forte de câncer de mama, histórico de radioterapia no tórax ou antecedente pessoal da doença. Nesses casos, a ressonância pode ser indicada anualmente como complemento à mamografia.

Esse exame não expõe a paciente à radiação e é feito com a paciente deitada em um equipamento que envolve todo o corpo. Ele é indolor e dura de 30 a 45 minutos, em média.

Tomossíntese

A tomossíntese, também conhecida como mamografia 3D, é uma evolução da mamografia convencional. A diferença é que ela produz imagens em camadas do tecido mamário, facilitando a identificação de alterações em mamas mais densas e reduzindo a chance de resultados inconclusivos. A SBM considera esse exame uma evolução no rastreamento e ele pode ser indicado como alternativa à mamografia tradicional sempre que disponível.

Mastologista também cuida de prevenção

Muitas mulheres chegam ao consultório do mastologista apenas quando percebem alguma alteração nas mamas, mas o papel desse especialista vai além do diagnóstico e do tratamento. Nós somos os profissionais indicados para elaborar e conduzir um plano de rastreamento personalizado, adaptado ao histórico e ao perfil de risco de cada paciente.

Na consulta preventiva, avaliamos o histórico familiar, investigamos fatores de risco individuais, solicitamos os exames pertinentes para a faixa etária e estabelecemos uma rotina de acompanhamento. No cenário de quem tem risco aumentado, nós discutimos com mais profundidade quando iniciar, quais exames incluir e com qual frequência repeti-los.

Quando o rastreamento identifica alguma alteração, o mastologista é o primeiro ponto de contato para investigar, interpretar os resultados e decidir os próximos passos. Em casos de diagnóstico confirmado, a condução tende a envolver outros especialistas – como o oncologista clínico, que tem papel central no tratamento do câncer.

Sobre o Dr. Ivan Piotto - Mastologista na Zona Norte

O Dr. Ivan Piotto atende como mastologista em Santana – SP, com título de especialista pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e formação médica pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Como especialista em mama em São Paulo, ele realiza rastreamento, diagnóstico e tratamento cirúrgico de doenças mamárias, com experiência também em reconstrução mamária oncológica e atuação em importantes hospitais na capital paulista.

Atende pacientes na Zona Norte de SP, em Santana, com foco em prevenção do câncer de mama, diagnóstico precoce e cuidado integral com a saúde da mulher em todas as fases da vida.

Mais sobre rastreamento do câncer de mama

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1Quando devo começar o rastreamento do câncer de mama?
A recomendação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) é a de indicar o rastreamento com mamografia anual aos 40 anos. Ainda que recomende mamografias a cada dois anos para mulheres entre 50 e 74 anos, o Ministério da Saúde libera pelo SUS o acesso ao exame entre os 40 e 49 anos, mediante decisão de um profissional de saúde. Já mulheres com fatores de risco podem – e frequentemente devem – iniciar o rastreamento antes dos 40. Nesse contexto, a definição do protocolo ideal deve ser feita em consulta com um especialista.
2Mamografia dói ou faz mal?
A mamografia pode causar desconforto passageiro durante a compressão da mama, mas não é um exame considerado doloroso para a maioria das mulheres. A sensação tende a ser mais intensa próximo ao período menstrual – então, sempre que possível, recomenda-se agendar o exame na primeira metade do ciclo. Quanto à segurança, a dose de radiação da mamografia é muito baixa, e o benefício do rastreamento com ela supera amplamente qualquer risco associado ao exame. Isso é reconhecido por todos os principais órgãos de saúde do mundo e, sendo assim, não há o que temer.
3Quem tem histórico familiar precisa investigar antes?
Sim, mulheres com histórico de câncer de mama em parentes de primeiro grau, especialmente se o diagnóstico ocorreu antes dos 50 anos, têm risco aumentado e precisam de avaliação individualizada. Em geral, a recomendação é iniciar o rastreamento 10 anos antes da idade em que o familiar teve seu diagnóstico, e nunca depois dos 40. Além da mamografia, a paciente também pode ter a recomendação de um ultrassom e, em alguns casos, ressonância magnética. Aqui, a conversa com um mastologista é o ponto de partida para definir o protocolo mais adequado.

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